- Sinto desapontá-la, mas ele já foi, e não vai voltar para o Ano-novo, ou nenhum outro momento. - Se minhas preces forem atendidas...
Jilly sacudiu os ombros.
- Não fique tão contente, querida, porque você está no mesmo barco. Simon vai ficar em Londres, de acordo com mamãe.
- Londres - Vane repetiu antes que pudesse se conter.
- Você esta dizendo que não sabia? - Os olhos de Jilly reluziam de malícia. Ela diminuiu a voz confidencialmente. - Papai descobriu no Natal que ele vinha pegando dinheiro emprestado com mamãe de novo e foi o apocalipse lá em casa. Primo Simon foi mandado embora para procurar um emprego que lhe permita pagar algumas de suas dívidas. Então, se eu fosse você, procurava outro namorado.
- Mas eu não sou você - Vane disse em voz baixa. - Acredito em Simon e estou preparada para esperar.
Jilly deu de ombros novamente.
- Boba, você - ela retrucou. - E não diga que não foi avisada. - E Jilly foi embora.
Simon podia ter me contado, Vane pensou com desânimo enquanto estava na fila do Correio. Na verdade, ele deveria ter me contado.
E nós nem mesmo tivemos a chance de nos despedir por causa daquele maldito Zackary.
Mesmo a mínima menção a seu nome parecia ter o poder de fazê-la queimar de raiva e humilhação, embora tivesse feito de tudo para tirá-lo da cabeça. Mas continuava a ser perseguida pelo modo como ele olhou para ela naquela noite desagradável, e era irritante além do limite que ele tivesse sido o primeiro homem a vê-la seminua.
Uma de suas primeiras ações depois da partida dele tinha sido embrulhar aquela terrível lingerie em um jornal e jogá-la no incinerador do jardim, onde as folhas estavam sendo queimadas. Pronto. Acabou. Mas não parecia ser tão simples assim, e ela não sabia o porquê.
Vane tentou pensar em coisas mais positivas enquanto voltava para casa, dizendo a si mesma que era bom Simon ter ido à procura de trabalho, o primeiro passo em direção ao futuro que estavam planejando. Embora não significasse, é claro, que o pai dela fosse lhes dar a bênção. Mas era um começo. E quanto às observações de Jilly, bem, Vane decidiu, ela não lhes daria crédito. A prima de Simon era contrária ao relacionamento deles desde o início.
Durante o jantar aquela noite, ela disse:
- Nós, por acaso, teremos alguma visita para o Ano-novo?
- Ninguém. Por quê? Tem alguém que você queira convidar? - o pai perguntou.
- Não - Vane disse, com ênfase. -Absolutamente. Estava só querendo saber.
O sr. Greg olhou o vinho na taça.
- Você gostaria que Zackary viesse?
- Ao contrário - Vane negou, rapidamente. Ele lançou-lhe um olhar demorado.
- Por que você não gosta dele?
- Tem de haver uma razão? - O tom de voz dela era defensivo.
- Suponho que não - ele retrucou. - Mas eu preferiria que vocês fossem amigos. - Havia uma nota de seriedade na voz dele que Vane conhecia há muito tempo. - Espero que ele seja um hóspede regular, e como sua anfitriã você tem de fazer com que se sinta bem-vindo.
Ela conseguiu dizer em um tom neutro:
- Sim, claro.
E ao mesmo tempo cruzou os dedos para que não houvesse outra visita do conde até que estivesse segura em sua escola.
E parecia que estava com sorte, porque Zackary Efron continuou longe e Vane achou o final de sua permanência verdadeiramente agradável, apesar da ausência de Simon.
Ela estava fazendo as malas para retornar à escola quando teve notícias dele. Simon estava de volta a High Gables somente para pegar suas coisas, pois tinha encontrado emprego em uma empresa de importação e exportação.
Durante um almoço na cidade, Simon explicou que, embora estivesse começando de baixo, o trabalho podia ser um grande passo para faturar muito.
- E eu podia viajar - ele disse-lhe exultante. -A empresa tem filiais pelo mundo inteiro. - Ele fez uma pausa, depois colocou a mão sobre a dela. - E em alguns meses vou ter dinheiro suficiente para voltar para você.
Vane sorriu e tentou ficar animada por ele, mas havia uma desolação em seu coração que não conseguia explicar.
Ela imaginou que se talvez ele não tivesse seus pertences para pegar na casa do tio, nem mesmo teria notícias dele. Além disso, parecia haver um acordo tácito entre eles para não falar sobre a festa, e embora ela estivesse preparada para aceitar, ainda assim sentia que merecia uma explicação, senão uma desculpa.
Afinal de contas, Simon devia saber que não tinha sido o único a passar pelo constrangimento de encontrar com Zackary Efron naquela noite. Ele não estava nem curioso?
Mas ela prontamente disse a si mesma que estava sendo injusta. A vida dele estava sofrendo mudanças radicais, e ela era uma das razões pela qual ele estava passando por isso.
Ela observou-o partir, agarrando-se à promessa que ele fizera de ligar todos os fins de semana.
Ele vai voltar para mim, ela sussurrou. Vai voltar. Eu... eu sei.
Mas não imediatamente, porque estava ocupado demais. E gradualmente os telefonemas abarrotados de notícias sobre seu sucesso no trabalho e sobre os amigos que estava fazendo começaram a escassear, até extinguirem-se completamente.
Na Páscoa, não houve sinal dele, e Vane, magoada, não conseguia perguntar por ele quando encontrava um dos Aubreys. E uma ou duas semanas depois ficou completamente arrasada quando seu noivado com uma garota chamada Rebecca West foi anunciado na revista The Times.
- Ele fez bem - o pai comentou durante o café-da-manhã. - Ele passou o jornal para Zac Efron, que estava hospedado com eles novamente. - O pai dela é Robert West, o magnata da mídia sul-africana.
O conde deu uma resposta descompromissada, mas Vane estava ciente de que ele a observava do outro lado da mesa. O que fez com que fosse completamente essencial que ela ficasse na cadeira comendo sua torrada como se isso fosse tudo o que importasse, quando ela de fato queria escapar para o quarto e dar vazão às lágrimas que teimavam em interromper. Mas não podia. Não desabaria na frente de Zac Efron.
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Desculpem não ter postado estes dias, mas voces sabem como é quando se tem praia a porta, não se sai dela um minuto, e quando saimos, saimos cansados.
Beijos eapero que entendam.